quinta-feira, 9 de maio de 2013

Florestas tropicais são resilientes às mudanças climáticas

As florestas tropicais constituem um dos repositórios mais importantes de carbono dos ecossistemas terrestres. É com esta base que as Nações Unidas, através do REDD+ , têm estado a promover a iniciativa de redução do desmatamento e degradação de florestas como forma de assegurar a emissão de dióxido de carbono, um dos principais gases de efeito de estufa, para a atmosfera.
As bases do REDD+ supõem que as florestas, quando conservadas por um período de tempo longo, poderão armazenar CO2. Entretanto, as florestas tropicais estão expostas aos efeitos das mudanças climáticas, particularmente o aumento da concentração de CO2 na atmosfera e o associado aumento de temperatura. O efeito destas mudanças sobre as florestas tropicais não é devidamente conhecido. Experimentos reais para medir estes efeitos são extremamente caros e os modelos de simulação têm sido a ferramenta utilizada para o efeito. Os resultados de modelos nos inícios da década de 2000 previam uma morte massiva de árvores nas florestas tropicais. Mais ainda, a seca que afectou a Amazonia em 2005 mostrou que perante este tipo de eventos as florestas podiam ser uma fonte de emissão e não um sumidouro de CO2. Modelos de simulação mais recentes dão conta que as florestas tropicais da África, América e Ásia, poderão resistir aos efeitos de aumento de concentração de CO2 e da temperatura. Se de facto as florestas tropicais forem resilientes às mudanças climáticas, então há boas notícias para a iniciativa REDD+, pois significa que a sua conservação não será perigada pelas próprias mudanças climáticas, para as quais o REDD+ pretende mitigar.
Ainda assim, investigadores de florestas tropicais, particularmente da floresta Amazónica reconhecem que não há dados suficientes para se saber o verdadeiro efeito do aumento da concentração de CO2 sobre as florestas tropicais. Para suprir esta falta de dados, os investigadores estão projectando montar o primeiro experimento em tamanho real para responder a perguntas tais como "como é que a floresta vai reagir se aumentarmos a concentração de CO2 ?". O experimento, a ser instalado em Manaus, Brasil, vai custar milhões de dólares e vai durar pelo menos 10 anos (ver artigo sobre o experimento publicado no jornal Nature).


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