segunda-feira, 13 de maio de 2013

Alternativas de energia e maior eficiência energética para salvar florestas

O desmatamento, a degradação do ambiente, a perda de diversidade biológica, entre outros aspectos, são temas bastante debatidos nas últimas décadas no mundo. Em Moçambique, o desmatamento e a degradação das florestas é atribuido a causas directas tais como conversão deflorestas para agricultura, a produção de energia de biomassa, entre outros. Estimativas gerais indicam a cifra de 80% como sendo a percentagem da energia doméstica que é gerada de lenha e carvão. A nível local as preocupações são outras: o fumo na cozinha, o custo elevado do carvão (o saco de cerca de 65 kg de carvão nas cidades de Maputo e Matola custa actualmente 750 meticais, valor que é superior ao preço de uma botija de 15 kg de gás, que é actualmente vendida ao preço de 610 meticais).
Há algumas iniciativas locais para minimizar os problemas referidos acima.

Utilização de gás natural: Produzido em Pande e Temane, província de Inhambane, o gás natural será canalizado para a cidade de Maputo e Marracuene. Numa primeira fase, a decorrer de 2012 a 2013, o projecto da parceria entre a Empresa Nacional de Hidrocarboneto (ENH) e uma companhia coreana, a KOGAS, irá abrangir os grandes consumidores e numa fase posterior irá atingir os consumidores domésticos (ver mais detalhes). Actualmente o gás natural já é consumido ao nível doméstico nos distritos de Vilanculos, Inhassoro e Govuro, província de Inhambane. Porém o número de consumidores ainda é pequeno: em 2011 era de 250 e havia planos de expandir para 350 no ano seguinte.
Utilização do gas natural para cozinha


Utilização de etanol: A fábrica de etanol a partir de mandioca, com capacidade para produzir 5 mil litros por dia, está instalada no Dondo, a CleanStar. Em Abril de 2013 fez-se a entrega dos primeiros 40000 litros de etanol para o mercado de Maputo. O produto é vendido com o seu fogão (fabricado na África do Sul), desenhado para o efeito e subsidiado para o consumidor Moçambicano.
Ndzilo
Ndzilo, a nova forma de cozinhar: 5 litros de etanol produzido pela CleanStar, Moçambique

Aumento da eficiência de utilização de carvão vegetal através da utilização de fogões melhorados: Lançada a iniciativa em Maio de 2013 pela Mozambique Carbon Initiatives, a meta é produzir e promover 13000 fogões melhorados de tipo mbaula e poupa carvão (e outros) com uma eficiência de pelo menos 20%.
Uso de fogões melhorados a carvão para aumentar a eficiência de uso

Em todos os casos há o desafio da adopção pelos potenciais consumidores. Falar em termos de aumento global de temperatura, perda de biodiversidade, redução de emissões de dióxido de carbono para os potenciais consumidores não parece fazer sentido nem despertar interesse em aderir à iniciativa. Impacto na economia doméstica (através da redução dos custos de energia), a qualidade do ar (menos fumo na cozinha) parecem ser questões mais apelativas para o processo de adopção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário