terça-feira, 29 de novembro de 2016

Miombo woodland current status: drivers of change and management challenges in Mozambique

O texto a seguir foi apresentado  pelo Silvicultor na mesa redonda do workshop do Miombo Network que teve lugar em Maputo no dia 27 de Julho de 2016

Introduction
Taking into account the objectives of the network, the themes of the current workshop, and the objective of this session, I suggest discussing the Mozambican forest context focusing on the underlying drivers of change and the challenges for bridging the science to policy and to practice of sustainable forest management. In the past, Miombo Network generated science information and channeled it to shape policies and regulations. Countries like Mozambique are rich with these policies, but there is a big gap between policies and practice. This suggests that scientists should also shift their focus to understand better the reasons of poor policy implementation and what is needed to improve forest management practices.
What drives forest cover change?
Our economy is depleting the forest resources. The way we do agriculture, the way we extract our forest resources for timber and biomass energy, the way we expand our residential and infrastructure areas is not sustainable, at the same time we do not seem to move out of poverty.
It is estimated that agriculture accounts for about 23% of the GDP. Biomass energy accounts to about 80% of the household energy, saving more than 700 million dollars per year. Forests are used as safety nets and have proven to provide livelihood alternatives in times of crisis such as droughts and floods. They can be used to generate income to complement the low yields. However, whether these services contribute to move local communities off the poverty is debatable.
Population doubled in the last 40 years, and with it, the demand for food, energy, fiber, infrastructure, and other resources. In the same period, the productivity did not increase, meaning that increased production was done by increasing cultivated areas. In the same period, very little forests were planted, and access to alternative sources of energy did not increase in the same speed.
What did our research find?
Recent studies revealed that miombo woodlands in Mozambique are declining, with the consequent loss of the basis to provide the ecosystem goods and services. In many regions decrease of forests has been reported resulting in an increased distance and effort to collect basic goods such as firewood, thatch grass, poles, ropes, game meet.
Deforestation leads to loss of biodiversity at all levels including genetic, species, and ecosystem diversity. While this is a complex, a little understood area, it has been shown that ecosystem degradation and loss of habitats affects wildlife diversity. The combination of habitat loss and illegal hunting would jeopardize the miombo fauna, including keystone species like the African elephant. Recent study reveals that the number of elephants reduced to almost half (48%) in the last seven years in the Quirimbas National Park and the Niassa National Reserves, the areas with the highest elephant density and the most affected by illegal hunting.
Further evaluation suggested that the decrease of forest goods and services as well as limited capacity to get most out of the existing forest resources, results from poor governance, uncoordinated policies, administrative and economic instruments, limited technology capacity, social and cultural aspects. My point in this presentation is that before we can resolve these problems, forests will continue to decline, with all the consequences of loss of ecosystem services. In this context, I hypothesize, using the forest-transition curve, that the loss in forest cover will not contribute to increase in GDP, therefore, leaving behind poorer communities.
What are the key issues being discussed?
Forest governance – While Mozambique is commonly quoted as a good example of forest and environmental policies, it is also quoted as a bad example of application of these policies. Filling the policy-to-practice gap is a must, to ensure the basis for sustainable forest management. In 2003, Mozambique signed the Yaounde Ministerial Declaration on African Forest Law Enforcement and Governance, committing itself, internationally, to 30 intentions and 42 indicative actions against illegal logging and hunting, their associated trade and corruption, and to promote improved forest governance. But today, Mozambique is currently among the most vulnerable countries in terms of illegal logging, and elephant and rhino killing.
Forest economics – ecosystem services valuation has been a challenge. Tapping the adequate revenue from the forest resources, adding value to forest products would contribute to the process of valuation of ecosystem services. Initiatives such as the reduction of emissions from deforestation and forest degradation would serve as incentives to accelerate the process. Biomass energy consumption is estimated at about 17 million cubic meters, equivalent to about USD700 million per year, but this amount is not considered in the national accounts. (that is a cost to the environment, and we keep saying that people live below 1 dollar per day). The EIA (Environmental Investigation Agency) study revealed loss in the order of USD29 Million in 2012, due to avoided taxes, at the same time, Mozambique was seeking from international donors, USD1 Million to finance law enforcement system, and USD11 Million for forest zoning and detailed forest inventory.
Social and Cultural Aspects of forests – while there are social and cultural impediments that tie people to bad practices, these will not be overcome in the short term, but need long term programs of education, training, and demonstration. How people shift from using charcoal to gas or electricity, is not just a matter of cost; why people do not plant trees may have deep cultural roots; why there is limited adoption of alternatives to slash-and-burn agriculture technologies may be more complex than just handing seeds and tools to the people.
Conclusion:

We need to go a further step and move from just measuring how much is lost, and where it is lost, and move the focus on influencing the practice of sustainable forest management of miombo woodlands.

Aprovada a Estratégia Nacional para a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, Conservação de Florestas e Aumento de Reservas de Carbono Através de Florestas (REDD+)

O Conselho de Ministros do Governo de Moçambique, reunido na sua Sessão Ordinária de 29 de Novembro de 2016, aprovou a Estratégia Nacional para a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, Conservação de Florestas e Aumento de Reservas de Carbono Através de Florestas (REDD+) e o seu Plano de Acção.


Em 2014, Moçambique formulou a sua Estratégia Nacional de Desenvolvimento para o período 2015-2035, que define os sectores-chave e estabelece as linhas-mestre para o crescimento económico sustentável e a redução da pobreza. É consensual que a mitigação e adaptação às mudanças climáticas devem ser parte integrante do desenvolvimento a médio e longo prazos. Para tal é fundamental avaliar o impacto de eventos climáticos extremos e definir acções para reduzir a vulnerabilidade das populações, especialmente as mais carentes.
A estratégia para a redução de emissões de desmatamento e degradação florestal, conservação de florestas, maneio sustentável e aumento de reservas de carbono através de florestas plantadas (REDD+) visa definir acções estratégicas que lidem com as causas multissectoriais da conversão de florestas em outros usos.
A estratégia, reconhecendo que as causas de desmatamento e degradação de florestas têm origens em actividades produtivas e de desenvolvimento tais como a expansão de áreas agrícolas, a expansão de áreas residenciais e desenvolvimento de infraestrutura, a exploração não sustentável de madeiras, a colheita de lenha e produção de carvão, entre outras, focaliza as suas acções na orientação destas actividades para que sejam realizadas de forma a minimizar o desmatamento e degradação florestal. Consultas extensas foram levadas a cabo em todo o país e com diferentes actores e sectores com vista a captar as reais necessidades e preocupações relativas ao processo de redução do desmatamento e degradação florestal nas condições de Moçambique.
O objectivo final da estratégia é promover um desenvolvimento sustentável, maior resiliência às mudanças climáticas, desenvolvimento rural integrado, através de um conjunto de acções com enfoque nos sectores de florestas, agricultura e energia.
A estratégia não substitui as estratégias e planos sectoriais, nem procura resolver todos os problemas de desenvolvimento rural, mas procura aglutinar e enfatizar aquelas acções identificadas nos diversos sectores, para as tornar mais visíveis e estabelecer sinergias para o objectivo geral expresso de reduzir o desmatamento e a degradação florestal e promover a conservação de florestas e a restauração de áreas degradadas.
Dado que as acções com potencial para a redução de desmatamento são diversas, uma avaliação de prioridade das acções a serem promovidas no âmbito da presente estratégia foi feita com base em critérios que respondem aos requisitos estabelecidos na sua visão e missão. Os critérios tiveram em conta a necessidade de que as acções sejam integradas, orientadas ao melhoramento das condições de vida rural e urbana e a redução de emissões de gases de efeitos de estufa.
A implementação da presente estratégia tem um elevado potencial para contribuir para a redução da pobreza rural e melhorar as condições de vida das comunidades locais através de:
(i)         Aumento da produtividade agrícola e a produção de culturas arbóreas poderão, de uma forma geral, melhorar a segurança alimentar e proporcionar excedentes para comercialização, incrementando a renda das famílias;
(ii)       Utilização eficiente de energia de biomassa assim como a utilização de energias alternativas tem o potencial de reduzir os custos de energia (carvão) dos agregados familiares urbanos ao mesmo tempo que reduz a incidência de doenças pulmonares associadas ao uso do carvão vegetal;
(iii)     Promoção da indústria madeireira, o aproveitamento de produtos florestais não madeireiros, e a conservação da natureza têm o potencial de criar oportunidades de emprego e incrementar a geração de renda para a economia rural e aumentar a contribuição do sector para as receitas e desenvolvimento nacional.
O custo de implementação da estratégia foi estimado em cerca de 1.8 mil milhões de dólares Americanos, dos quais, a maior parte corresponde ao custo de estabelecimento de plantações florestais, a qual já teve o seu início com os investimentos do sector privado.
A Convenção Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, da qual Moçambique é signatário, criou um mecanismo de financiamento das acções de REDD+ do qual Moçambique tem vindo a beneficiar para apoiar a implementação das actividades identificadas na estratégia. Fontes adicionais de financiamento provem da cooperação bilateral com países parceiros, que também têm financiado a implementação da estratégia.
O Silvicultor liderou a equipe de preparação da estratégia, trabalho conjunto com a Dra Isilda Nhantumbo e Eng Benard Guedes. Foi pouco mais de um ano e meio de trabalho intensivo, mas valeu a pena. Agora arregaçar as mangas e começar a trabalhar na redução de emissões (cortar menos árvores, plantar mais árvores e utilizar eficientemente as poucas árvores cortadas). Com efeito há equipes que já vem trabalhando na pilotagem de acções tendentes à redução de emissões do desmatamento e degradação de florestas nas províncias de Zambézia e Cabo Delgado.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Os graduados são agentes de mudança

O Silvicultor foi convidado pelos graduados da UEM ediçção de 25 de Novembro de 2016 para ser o seu paraninfo. O Silvicultor teve que vestir a sua "toga y birrete" para falar aos graduados. Aqui vai na íntegra, o discurso dirigido aos graduados.

Os graduados são agentes de mudança
Com a permissão de Sua Excia o Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional
Caros graduados,
Quando me convidaram para tomar o lugar de Paraninfo e usar deste pódio perante tão ilustres graduados e na presença de seus educadores e encarregados de educação, pensei logo, o que iria adicionar ao seu conhecimento e às tantas recomendações que foram recebendo durante os anos de formação.
Depois de muitos considerandos, entendi que a escolha foi feita como sinal de reconhecimento do meu trabalho como educador, investigador, e conselheiro. Quero assim, antes de mais nada, em meu nome e em nome da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal, e particularmente o Departamento de Engenharia Florestal, agradecer aos graduados por esse reconhecimento e consideração.
Em seguida, quero felicitar a todos os graduados de 2016 por terem conseguido chegar a este nível. Parabéns e votos de uma carreira feliz e cheia de sucessos.
Tenho certeza que nesta altura de graduação, já têm a bagagem que precisam para entrar no mundo profissional, e portanto, resta pouco para se discursar, por isso decidi trazer para este pódio o tema: “os graduados são agentes de mudança”.
Enquanto a minha geração (graduada em 1987) era encorajada para servir o povo (moçambicano), a actual geração é encorajada para servir um mundo globalizado. As mudanças globais são um fenómeno indiscutível: hoje vemos televisão, ouvimos rádio, nos comunicamos por telefone sem fio em tempo real, quase sem custos; viajamos nos cinco continentes com muita facilidade, e podemos chegar a qualquer ponto do mundo em menos de 24 horas. Isso significa que o mundo ficou muito pequeno comparado com aquele que a minha turma viu na altura da sua graduação.
Vi como a eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos da América preencheu as redes sociais dos jovens Moçambicanos. Isso significa que um acontecimento que se dá na China, Portugal, Índia, Uruguai, ou qualquer outro canto do mundo, vai nos afectar. As 84 vítimas foram da explosão de bombas em Aleppo, ou da explosão de um camião-cisterna em Capirindzanje? Hoje tudo se confunde e se parece.
Caros graduados,
Se o mundo actual já é uma aldeia, o vosso mundo vai ser, a meu ver, um quintal. Já imaginaram um mundo tão pequeno onde não há onde deitar fora o lixo (porque não há o lado de “fora do quintal”), e tem que reusar e reciclar todas as coisas que usam? Um mundo onde os recursos naturais são cada vez mais escassos, e tem que fazer um uso cada vez mais eficiente dos poucos ainda disponíveis?
Isso vai exigir de vocês mais inovação na procura de soluções para encontrar outras formas eficientes e sustentáveis de produção e utilização de energia, produtos alternativos para alimentação e medicamentos para novas doenças. Das pouco mais de 20,000 plantas comestíveis conhecidas, apenas 20 espécies constituem mais de 90% da alimentação mundial, e destas, a sua base genética encontra-se bastante erodida. Hoje a segurança alimentar está ameaçada pelas mudanças climáticas, porque há uma grande dependência neste número limitado de plantas.
Caros graduados,
Os Objectivos de Desenvolimento Sustentável, sugerem um mundo mais seguro, pacífico, transparente, justo, sem fome, com energia acessível para todos, e um ambiente saudável. Nelson Mandela disse “a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para transformar o mundo”. Por isso, o meu discurso de hoje chama à necessidade dos graduados serem agentes de mudanças, com a finalidade de se alcançar esse mundo tão desejado. A minha geração testemunhou que conseguir isso precisa muito trabalho árduo e perseverança.
Procurem fazer as escolhas certas, a aí terão oportunidade de conhecer a faceta mais linda do mundo em que vivem: paisagens lindas, pessoas lindas e amorosas, sabores, música e arte, que vão alegrar os vossos corações e  irão vos marcar com boas recordações para o resto da vida. A vida profissional é bela! Vivam-na intensamente, vivam a juventude sem limites! amem, viagem, trabalhem, e disfrutem de tudo o que a natureza vos oferece.
Não tenham medo do desconhecido, pois ele é um campo fértil para descobertas, inovações científicas e tecnológicas. Observem o mundo que vos rodeia com atenção, pois aí estão as oportunidades e as soluções dos problemas actuais e futuros da humanidade. Não aceitem todas as ideias pré-concebidas da velha geração, desafiem-nas. Não tenham medo de testar o vosso pensamento e as vossas próprias ideias. Albert Einstein disse, e eu cito: “se uma ideia não parece absurda à partida, então não há esperança por ela”.
Caros graduados,
No mundo profissional irão encontrar de tudo um pouco. Pessoas que  irão vos ajudar na integração no mundo profissional e irão dar-vos todo o apoio para que a vossa carreira seja cada vez mais brilhante;  outros serão indiferentes, e não vão mudar em nada o vosso desempenho; outros ainda que quererão ir na boleia do vosso diploma (sem pagar); haverá outros ainda, que irão vos mandar engraxar as suas botas com o vosso diploma, e outros que irão vos convidar a entrar em boladas (para enriquecerem facilmente), ou a se endividarem por uma coisa que não tem utilidade para vocês; outros ainda quererão pisar no vosso diploma, pedindo que lhes bajulem, pressionando-os a tomar decisões antiéticas.
Primam pelo profissionalismo e dignifiquem o vosso nome e o da Universidade que hoje vos atribui o título. Vocês são profissionais que merecem a confiança da Universidade Eduardo Mondlane, por isso estão aqui. Façam uso adequado do diploma que hoje receberam.
O facto de hoje receberem um diploma universitário, não é sinal de que já sabem tudo. A vida é uma grande escola, nunca parem de aprender. Para citar Vladimir Lenine: “aprender, aprender, aprender sempre”. A graduação não é um fim, mas o começo de uma longa carreira. Na língua inglesa, esta cerimónia de graduação chama-se “commencement”. Na nossa tradição moçambicana, diríamos que é a cerimónia de ritos de iniciação (à ciência e tecnologia). Assim, já são crescidos e maduros, e podem ir prestar serviço à sociedade com base no conhecimento da ciência e tecnologia que o diploma que hoje receberam vos confere.
Parabéns, boa sorte, e votos de uma carreira feliz e cheia de sucessos.
Obrigado