sexta-feira, 3 de junho de 2011

Iniciativa “um líder, uma floresta” e “florestas comunitárias”

O Jornal Domingo de 29 de Maio de 2011 apresenta um artigo que ocupa duas páginas e tem o título “Iniciativa um líder uma floresta: resultados aquém do desejado”. O artigo usa o exemplo da província da Zambézia onde dos 3060 líderes comunitários apenas 256 estabeleceram florestas comunitárias. Trata-se de uma iniciativa do Gabinete do Presidente da República para estimular o estabelecimento de florestas “novas”. O jornal refere que os líderes comunitários estão a enganar o Presidente da República, pois algumas das plantações reportadas foram estabelecidas uma semana antes da visita Presidencial.
Estamos perante uma situação muito complicada, pois a iniciativa em si tem muito boas intenções e está muito em linha com as diversas políticas do ambiente e de florestas em Moçambique. A análise da informação leva a crer que falta a apropriação da iniciativa pelas instituições ao nível local, particularmente os governos distritais, as direcções provinciais do ambiente e de agricultura. Não parece haver priorização e orçamentação destas actividades nem parece haver o apoio técnico em termos de espécies de plantas a estabelecer nem uma ligação com as iniciativas de maneio comunitário com base em florestas naturais.
Há ainda o assunto que se refere a “floresta nova” cujo conceito não é muito claro e não parece dar importância à necessidade de conservar as florestas naturais existentes. “Floresta nova” não deve substituir “floresta velha”.
Na realidade “um líder uma floresta” é apenas uma parte da história. A outra parte é “um aluno, uma árvore por ano”. Tem se visto algumas escolas com plantas no recinto escolar. Algumas das escolas até perderam o seu recinto de recreio e seus campos de futebol para plantar árvores.
Ocorre-se-me perguntar de quem são as árvores que são plantadas? Como são geridas? Como são tomadas as decisões sobre a sua utilização? Quem, efectivamente, precisa daquelas árvores, o Presidente da República ou as pessoas da comunidade?

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http://www.rightsandresources.org/documents/files/doc_1647.pdf

3 comentários:

  1. A iniciativa do Presidente da República “um líder uma floresta” está bem pensada para responder a procura dos recursos florestas (produtos e serviços) e baixar a pressão sobre as poucas áreas existentes de florestas nativas. Contudo, esta inicia peca pela falta da definição de como e quem implementa, falta de capacitação dos técnicos para acompanhar a actividade e a inexistência ou fraca alocação de recursos financeiros e materiais para o efeito.
    Em qualquer programa é importante que quando se toma decisões se definam as estratégias de implementação e monitoria acompanhadas pelas políticas participativas bem definidas e claras assessoradas pelo respectivo plano de actividades e orçamento.
    É importante que se perceba que discurso de um político tem que ser diferentes do discurso de um técnico “um líder uma floresta”, acho que não cabe ao Presidente da República definir as diferentes possíveis maneiras de implementar a iniciativa seja por novas florestas, gestão das existentes, definição de espécies a plantar de modos a contribuírem positivamente primeiro para as comunidades locais e segundo para os interesses do governo ou para caso isolado.
    O mesmo acontece para a iniciativa “um aluno uma árvore por ano” igualmente ao primeiro caso, falta a mão técnica e financiamento. Acho que quer nas escolas como para os líderes é importante que tenha fruteira que teriam um excelente impacto acompanhado com as florestas ditas; as escolas teriam mais ganhos (desde a sombra, frutas para consumo e venda, auxiliar as aulas práticas in loco, etc); quanto ao uso dos pátios escolares é forma das direcções das escolas justificarem que estão a cumprir com as ordens.
    Combinando todos estes elementos de forma técnica, estaríamos em altura de definir tem quem são estas árvores e quem as precisa de verdade. De forma particular as árvores são da comunidade, das escolas e de todos que directa ou indirectamente beneficiariam dos serviços ambientais das árvores.
    Por: Cássimo Lacerda Romua

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  2. A Iniciativa um líder uma floresta é um programa a lovouvar porem não tem tido sucessos por falta da seriedade dos próprios administradores. No meu ponto de vista o fracasso deste programa não se deve apenas a falta da seriedade dos administradores mas também a falta de técnicos qualificados nas áreas da florestas nas comunidades, o que leva as comunidades a plantar certas espécies sem conhecer a biólogia das mesmas. E para que este programa tenha sucesso é preciso apostar no plantio de espécies com valor a nível comunitário o que despertaria maior interesse no plantio e cuidados e saber a biólogia das mesmas.

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  3. A iniciativa um líder uma floresta é positiva, pois mostra uma preocupação presidencial com relação ao ambiente. As novas florestas são implantadas em detrimento das antigas, e não há estudos de espécies e procedências, as florestas devem ser de espécies aceites ou de interesse comunitário para que tenham sucesso porque a comunidade dará valor as actividades florestais. Outras razões do insucesso das florestas comunitárias incluem a falta do orçamento das actividades e falta de técnicos para o acompanhamento das actividades.
    Quanto à iniciativa um aluno uma árvore, os alunos não sabem porquê e para quê plantam as arvores e não obstante, os professores que assistem os alunos não tem conhecimentos da matéria e as plantas são deixadas em lugares impróprios, para além da falta de tratamentos depois do plantio e noutras escolas as plantas são vandalizadas pelas populações vizinhas.

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